Associação Biodinâmica

Relatos: Júlio Almeida

18/09 - Quinta-feira – Tarde

1 - Palestra – Renato Gomes – Pastor da Comunidade de Cristãos de Botucatu

Imagem bíblica: Caim, agricultor e Abel, pastor. Duas profissões arquetípicas no início da tradição humana. Ofícios ligados à natureza, porém antagônicos no sentido de que na agricultura se requer a transformação da terra e no pastoreio a conservação da terra com seus recursos naturais.

Processo evolutivo lembra a questão do acesso à terra (Caim), enquanto Abel é um nômade, que caminha com o rebanho, não delimita a terra, não a cerca, segue o rebanho no seu pastejar.

Na queima de incensos ofertados à Deus a fumaça de Abel sobe aos céus e agrada a Deus, enquanto a de Caim desce à terra, gerando uma tensão, uma polaridade, uma dualidade que não é resolvida e culmina com a morte de Abel por obra de Caim, que fica assustado com a possibilidade de que todos queiram se vingar dele.

Deus então tranquiliza-o, deixando-lhe (e a seus descendentes) uma ‘marca’ (que não é explicitada), que acompanha o seu povo.

Essa dualidade inicial prevalece por toda a história humana.

Depois da morte de Abel, Adão e Eva estão tristes. Deus então lhes dá um novo filho: Set. Esta linhagem levanta altares e agradece a Deus, surge então o sacerdócio.

Ou seja, de um lado, os que trabalham na terra, alteram-na, aprofundam sua ação na terra, como Caim. De outro, o que vê a terra como algo a ser preservado, no estado do Éden Paradisíaco, com suas forças originárias, como Abel e Set.

Outros irmãos e outra tensão estão presentes em Isaías e Jacó, o filho primogênito.

Por meio desta dualidade não se resolve o problema. Na modernidade esta questão está presente e pode-se identificar a corrente ‘de Abel’ na intenção de curar, de metamorfosear a terra e a corrente ‘de Caim’, de preservá-la tal como é.

Voltando ao Antigo Testamento: Caim teve 3 filhos:

Jabal construtor de tendas, nômade, peregrino, pastor;

Jubal que é músico e está na esfera entre o mundo sensorial de Caim, da técnica, e o mundo não material, da inspiração artística. Representa uma tentativa de unificação dos dois extremos, uma ponte; e

Tubal Caim, ferreiro, tem o mesmo sentido de Caim, de transformar a matéria.

O trabalho com a Agricultura Biodinâmica (AB) também atua no sentido de resgatar a tradição antiga onde uma parte do alimento produzido era consumida, uma parte guardada para novo plantio e uma terceira parte, a melhor, oferecida aos Deuses, independente da cultura.

Hoje, somente a produção interessa. A ‘Monsanto’ produz para o agricultor a semente, o agrotóxico etc.

Necessidade de manifestar o elemento trinitário: consumo, reserva e oferta ao Divino.

Introdução de Steiner ao curso agrícola: questão terreno-cósmica; extrair do espírito forças hoje desconhecidas; agricultura melhorada e que a vida dos homens possa prosseguir na terra.

Renato alerta para o risco da AB servir ao sentimento de egoísmo de quem passa a ter alimentos ‘saudáveis’ enquanto outros não o tem.

É necessário preencher o espaço de separação entre ‘céu e terra’, construir a ponte entre o organismo físico da terra e as forças cósmicas.

O trabalho religioso cristão, ao longo dos séculos, representa a tentativa de união entre ‘Caim e Abel’, a conquista de um terceiro elemento, a união entre o ‘céu e a terra’, o ‘pão da vida’, a imagem que Jesus Cristo traz.

O trabalho agrícola começa a ter sentido quando encontra a relação com o ‘elemento do meio’: produzir alimentos, produzir boas sementes (a perpetuaçao e a parte entregue ao Divino (trabalho espiritual-religioso).

O que precisa ser alimentado e sanado hoje é a TERRA.

2 - Palestra Michael Mosch

Fala sobre dois conceitos: transformação e realização.

Michael: forças do mal e forças angélicas que não retiram o mal da convivência humana, mas ‘dominam’ o mal, conceito de transformação.

O ser humano está colocado entre o  ‘céu’ e  a ‘terra’.

Profissões voltadas para a ‘terra’ tendem ao materialismo.

Já as tendências que levam para as ‘artes’ podem levar ‘às alturas’, que também podem levar a perder-se, assim como na matéria.

São duas imagens: uma que amarra e outra que nos liberta de forma exacerbada.

Grande número de pessoas passa fome. Ocorrências catastróficas ocasionados pela natureza (tsunami, terremoto) ceifam a vida de grande número de pessoas.

Por outro lado, há mortes causadas pela própria convivência humana: como o caso de guerras e aquelas causadas pela falta de alimentação (que mata diariamente 18 mil pessoas).

A origem do ‘bem’ e do ‘mal’ está na própria natureza humana, no mundo.

O ‘bem’ adquire qualidade de ‘mal’ quando usado de forma exagerada, por exemplo, o consumo.

A transformação leva à realização humana como uma qualidade (humanização no ser humano). O ‘Cristo’ dentro de cada um de nós.

Reconhecer o ‘mal’ como um convite à transformação interna.

Cita autor de livros infantis e poemas. Cita o poema “E Se”

Sexta-feira - 19/09 - manhã

3 - Palestra Ueli Hurter

Perdi a maior parte desta palestra por falta de bateria no computador, portanto o registro está bem pobre. Pode ser complementado com o registro muito bem feito por Carlos Lira.

Início da agricultura orgânica foi com a biodinâmica, não havia nada antes.

Fala do curso agrícola que aconteceu em uma Conferência, com a participação de Steiner, destaca que ele estava doente quando chegou e foi melhorando dia a dia, apesar das intensas atividades.

A Conferência aconteceu em uma fazenda numa atmosfera de grande festividade.

O curso contou com a participação de 3 pastores da comunidade, um com cerca de 50 anos, que escreveu uma carta para os colegas expressando o que havia ocorrido. “O que aconteceu é como se você estivesse apaixonado por alguém”, escreveu ele.

Sexta-feira - 19/09 - tarde

4 - Palestra – Ronaldo Lempek 

Demonstra sua satisfação com a chuva benfazeja, que deixa cheiro de terra e o prazer de senti-lo.

Atuação do agricultor em duas dimensões: tempo e espaço. No espaço da propriedade, no tempo das plantas, do plantio à colheita, da emprenhez a dar a luz. O tempo e o espaço são fatores de trabalho presentes de forma total no dia a dia de atuação no mundo agrícola.

Comenta que o pastor Renato em sua palestra levou os presentes a uma viagem no tempo, assim como Ueli e agora vão fazer uma viagem no tempo relacionada ao trabalho agrícola.

Antes, porém, complementa a imagem de Rudolf Steiner no curso agrícola ocorrido na cidade Koberwitz,quando Steiner estava com a saúde debilitada, a ponto da impressão deixada é que estava “carente de substância material” (vestido com seu tradicional sobretudo e carregando vários documentos amarrados por um cordão, de maneira que este deixava um vinco profundo no sobretudo).

Neste local ocorria a festa de Pentecoste (lembra algumas imagens: as línguas de fogo sobre a cabeça dos discípulos, a pomba). Steiner dava a palestra agrícola pelo início da manhã, respondia a perguntas, dava consultas médicas no início da tarde e, no final da tarde, se reunia com jovens na cidade e a noite dava palestras sobre o Carma, em um ciclo que já havia iniciado a tempos, na cidade de Breslau. Ocorriam ainda conversas amistosas na cozinha, no final da noite. Pela madrugada,  ainda escrevia alguns artigos até 3-4 da manhã e entregava a alguém que levava à estação ferroviária para ser enviados para publicação.

Ou seja, ele se portava como “um canal do mundo espiritual que trazia coisas aos homens”.

Renato trouxe a imagem de Abel e Caim, Ueli também trouxe a imagem dos dois elementos cósmicos que se encontravam na superfície da terra e não se ultrapassavam.

Rudolf Steiner fala da Atlântida e dos períodos pós-Atlântida, da Antiga Índia, quando os homens eram guardados e nutridos pelas divindades, ou seja, não precisavam fazer nenhum esforço para sobreviver. Quando não mais acontecia essa união com o espírito foi quando o homem criou o Yoga, pela qual através de técnicas o homem conseguia novamente a sensação de união com o espírito.

Após essa época, vem a Cultura Persa e Zaratrusta, o grande líder espiritual, que reconheceu uma força (ser espiritual magnífico) na esfera do Sol (Ahura Mazdao, a ‘Aura do Sol’). Olhava também para a terra e reconhecia que o homem, nesta nova situação, precisava penetrar na terra, ter uma relação com ela. O terreno e o cósmico se interpenetram. A agricultura na Antiga Pérsia entendia como fertilizar a terra rasgar a terra com o arado para que o cósmico interpenetrasse a terra e a fertilizasse.

O símbolo da civilização persa é um arado de ouro, abrir a terra era algo sagrado, para que fosse penetrada pelos raios do sol.

Zaratrusta está na origem do mito do Messias que viria da esfera solar para penetrar a terra, esse ser divino, solar. Zaratrusta percebeu que este ser viria para a terra, porém esse ser já era reconhecido nas religiões indus (Antiga India, Vishnu Karma) e ao longo das culturas posteriores à persa: Egípcia Caudaica (mito de Osíris), Grega (Deus Apolo). Em cada cultura conforme a evolução daquele povo, mas trata-se do mesmo ser nesse caminho de aproximação com a terra.

Paralelamente, à cultura Egpto-Babilônica e à Grega teve a evolução do povo Hebreu, conhecido no Antigo Testamento pelo exílio na Babilônia depois no Egito (isso significa pegar qualidades dessas civilizações). O povo Hebreu foi orientado pela divindade chamada Jeová ou Javé (o mesmo ser divino que acompanha a humanidade no seu caminho de evolução). O desenvolvimento do povo Hebreu se dá com a qualidade do povo pelo qual o Messias viria se manifestar e ao longo do seu caminho de 3.000 anos acontece muita coisa.

No início da jornada na Palestina, no Monte Sinai, Moisés recebe as tábuas da Lei (10 Mandamentos), mas havia muitas outras festas que eram comemoradas dentro dessa cultura. Atualmente o chamado povo Judeu mantém festas bem específicas, com uma tradição cultural forte.

A vinda do Cristo no seio do povo hebreu, no ano zero da nossa civilização: o Cristo faz o seu caminho na terra, ao final da sua vida, os últimos acontecimentos ligados à Paixão, a Ressurreição 3 dias depois, os 40 dias vividos entre os discípulos, a Ascensão (numa quinta feira) e, 10 dias depois (no total 50 dias), tem-se o Pentecoste (apresenta uma imagem do evento de Pentecoste).

Rudolf Steiner diz para nos relacionarmos de um modo ‘concreto’ com o evento da vida de Cristo, o evento central na nossa evolução, a presença do Cristo na terra.

Cristo ter passado por esse processo da Paixão, da morte,  da ressurreição, da ascenssão e do Pentecoste: qual o significado?

A festa do Pessach começa na sexta feira às 6h da tarde (por isso José de Arimatéia vai pedir o corpo de Jesus a Pilatos antes das 6h). Esta festa foi criada por indicação de Jeová e até hoje é comemorada pelos Judeus. O dia tem dois significados: um ligado à saída do povo judeu do Egito, neste dia foi designado que as portas dos judeus fossem marcadas com o sangue de um cordeiro, que o anjo exterminador passaria e que não levaria aqueles cujas portas estivessem marcadas.

Após a passagem que vai da morte do Cristo (cordeiro sacrificado na cruz), a ressurreição, os 40 dias que permanece atuando entre os homens e a ascensão, com a partida do Cristo para a esfera etérea da terra os discípulos ficaram perdidos (novamente); eles se reúnem apavorados, havia muita perseguição por parte dos romanos. Reunidos na mesma sala da Santa Ceia, após 10 dias, acontece esse evento do Pentecoste quando com um rugido de vento as línguas de fogo são vistas sobre eles.

Este dia está relacionado com uma festa chamada Shavu’ot, uma festa agrícola, festa das primícias ou festa das oferendas. O trigo era plantado em março, no Pesarch era comemorado os primeiros brotos do trigo e no Shvu’ot o agricultor pegava os primeiros feixes de trigo e levava ao templo em oferecimento. Os que não eram agricultores levavam 2 pães, um para ser imolado e outro para ser distribuído aos pobres.

Ou seja, a descida do Espírito Santo acontece dentro de uma festa agrícola. Isso significa que a partir desse momento essa porta para o espírito está aberta para a humanidade. Fala da imagem da pomba e que ela aparece como imagem também no Batismo de Jesus por João Batista, ou seja, no momento em que o ser Crístico passa a habitar a terra. Agora esse espírito está disponível para cada homem; cada um podia olhar para o outro e ver a ‘chama do espírito’; cada um era alimentado conforme a sua busca, conforme a força do espírito que vivia nele.

Shavu’ot também era a festa onde os homens comemoravam as Tábuas das Leis de Moisés. As Tábuas diziam: ‘faça assim, não faça assim’. Jeová indicava para o homem, a partir do mundo espiritual, como conduzir a vida na terra. A partir de Pentecoste há uma renovação do significado destas Leis, a partir de agora os homens podem levar sua vida a partir de uma lei ‘interna’ (apesar das igrejas não poderem divulgar isso). Pentecostes trouxe a liberdade para todo homem desenvolver sua vida espiritual, mas as religiões do mundo não podem dizer isso para os homens. Contudo, Rudolf Steiner deu indicações neste sentido.

Rudolf Steiner começou o curso agrícola em um sábado, um dia antes de Pentecoste (domingo) e seguiu na rotina descrita no início, o que seria cansativo para qualquer um, mas ele se sentia rejuvenescido, se mostrava jovial. No último dia, de noite, um grande jantar foi organizado num restaurante local.

Ueli indicou em sua palestra as 3 primeiras e as 3 últimas palestras que fazem um diálogo muito interessante. Entre estas duas, são indicados os seis preparados do composto e os dois preparados do chifre (esterco e quartzo) resultando em 8 no total. Os dois preparados do chifre fazem um diálogo entre eles, um ao amanhecer e outro ao entardecer do dia. Melhor ainda se as estrelas já estiverem presentes, com uma lua fininha; ou na madrugada, imediatamente antes do sol nascer, para aplicação do 501. Os dois são preparados ligados às forças de luz, um diretamente e outro à ausência dessas forças. Esta é uma rotina que cada pessoa também cumpre todos os dias, ou que a alma cumpre em toda encarnação (vida e morte), não se pode dissociar disso jamais. Os preparados formam uma ‘verticalidade’, em baixo a terra e em cima a esfera cósmica, cria uma polaridade que também é vista na planta, a verticalidade que penetra na terra e que se dirige ao Cosmo.

Na relação de produzir, preparar e utilizar os preparados sempre buscou respostas: Por que utilizar? Qual o significado? Qual a relação disso?

Quanto aos preparados, da esfera dos planetas emana para os humanos as forças do sentir. Cada preparado do composto pode ser relacionado com um planeta e com um determinado dia da semana, por consequência. Os preparados se relacionam com a esfera do meio (horizontalidade). Temos então a imagem da horizontalidade e da verticalidade, abaixo a terra e acima as estrelas fixas. As plantas fazem então a relação com o cósmico, com o que isso significa para a planta. Não são as forças físicas do sol, mas as forças que emanam de todo o Cosmo e das profundezas do solo.

conferencia-biodinamica

Rudolf Steiner deixou meditações para diversas áreas e a meditação para o agricultor é o calendário agrícola.

Steiner dá a idéia que o alimento da terra permite ao homem incorporar as forças que façam com que, a partir destas forças da terra, possa fazer a conexão com o mundo do espírito.

Essa relação com o espaço precisa ser profundamente desenvolvida, esta conexão com o mundo do espírito.

Lembra que a relação com o espaço precisa ser desenvolvida de forma concreta: abre o calendário no dia de hoje e traz uma série de relações astronômicas; mas isso ainda é abstrato, donde pergunta: “o que faço com isso?” E dá uma dica: alem de usarem o calendário, usar um celular ou ‘IPad’ e baixar um programa que dá a posição dos astros no céu.  Ou seja, é um instrumento que permite desenvolver a noção de espaço com apoio no calendário, meditar diariamente na relação com os planetas, os signos. Convida todos a desenvolverem uma relação concreta com o mundo estelar que é o ambiente de trabalho do agricultor. Esse mundo cósmico é que trouxe o ‘vir a ser’ de tudo o que existe e se tem agora a ferramente para buscar a conexão com este mundo cósmico.

Steiner descreve na carta Micaélica que o macrocosmo ‘está morto’. Ele morreu para que a vida da terra e dos homens acontecesse. Se estamos todos vivos é por conta da morte do Cosmos. Existe um verso de Rudolf Steiner, dado de presente para Mary Steiner sua esposa, que exprime de forma muito bela um caminho de trabalho e convida a todos a, a partir da terra, da ação da vontade, almejar o mundo do espírito, um novo mundo espiritual.

Sábado - 20/09 - manhã

5 - Palestra – Ueli Hurter

O que foi construído deve ser legado para  o futuro.

O caminho que cada um percorre, a situação maior que se apresenta, além do que se pode comportar.

Quando se dinamiza o preparado se dá conta que o que está fazendo o toca. Há o envolvimento da força do ‘fogo’, da vontade, de que “Eu vou fazer”. Dinamizar o preparado depende da ‘força de vontade’. A partir do entorno (a natureza) que vem ao encontro da pessoa que realiza uma tarefa.

O que era uma relação com o que está fora tornou-se uma relação com o que está ‘dentro de mim’; o que vemos como uma relação com o nosso trabalho com a natureza, o trabalho do sol e o efeito na natureza, como isso atua dentro de mim? O humano em mim, a humanidade em mim coloca essa pergunta. Mas ninguém no mundo pode dar essa resposta, ela só pode vir de dentro de cada pessoa.

A pergunta é: como eu posso trabalhar na terra a partir dessa pergunta? Eu posso dirigir um trator? Posso trabalhar com as vacas tendo esse tipo de pergunta? Posso, dessa forma, ser um agricultor moderno?

Ser um agricultor biodinâmico é também um caminho interior.

Rudolf Steiner diz que o agricultor é um meditante. É uma qualidade interior do agricultor. Ele descreve essa situação onde o agricultor não está fazendo nada, lá fora faz frio e ele sonha. E, quando vem a primavera, ele sabe o que fazer, e faz isso e aquilo. Isso é um tipo de imagem tradicional que Steiner menciona. 

Vejamos como o trabalho interior funciona, o trabalho interior de um agricultor ativo e engajado nesse impulso.

A partir destas perguntas, com um caráter religioso, como isso surge dentro de mim?

Olhando para os fenômenos da natureza percebe-se a qualidade interior que as plantas e animais podem mostrar.

Exemplo: tenho na fazenda duas vacas e tenho que descartar uma delas. Tenho que decidir agora, preciso ocupar o lugar com uma vaca nova. Uma decisão, uma seleção no rebanho, para decidir como me dirijo para o futuro. Tenho que trabalhar de uma forma analítica: linhagem, forma dos chifres, leite, qualidade do animal. Neste momento preciso decidir a partir de fatos. Dou uma parada nas considerações a partir do pensar, por uns três dias, e tomo para dentro de mim, para o mundo do sono. Em alemão se fala: “Vamos levar isso para a noite”. Quando saímos do sono, da não consciência, se manifesta para nós qual a direção tomar, qual a decisão. Então, posso tomar esse âmbito e juntar com o que havia trabalhado de forma analítica sobre o rebanho e tomar a decisão que interessa.

Posso trabalhar de forma retrospectiva, ou de um caminho meditativo pessoal, enfim, estar atendo ao que se manifesta para mim.

O fato de ter esse caminho de desenvolvimento pessoal, como um homem moderno, o que me leva para frente?

O que deve acontecer é não ter uma separação entre esse homem moderno e o agricultor à moda antiga, eles devem andar juntos.

Aqui estou eu com o meu ‘eu cotidiano’, o ‘pequeno eu’ e a  realidade que me envolve (desenho).

Estar separado da realidade é comum ao ser humano moderno. As coisas seguem o seu caminho.

As realidades se mostram para mim, e de vez em quando há um chamado: o que devo fazer?

Eu recebo esse chamado e, de forma tranquila, rejeito esse apelo que me vem. Eu não deixo a minha zona de conforto. “Não me incomode, estou ocupado, estou cheio de trabalho”; todos conhecem isso. Desse jeito não haverá nenhuma transformação, pois o que vem para nós mandamos de volta.

Podemos até tentar mudar mas, de certa forma, é sempre a repetição da mesma coisa.

Talvez possam recordar-se de quando descobriram a biodinâmica, talvez fossem um agricultor ou pesquisador convencional e veio essa pergunta; sentiu aquilo meio estranho; a pergunta se repetiu e você resolveu continuar da mesma forma. Às vezes esse chamado vem para nós e a gente interioriza esse chamado. Temos o mundo exterior e o mundo interior. Numa situação especial, quando permito que isso adentre o meu interior surge algo. Tenho esse momento em que minha alma recebe isso e me incomoda, provoca. Então entro em contato com o EU.

Como esse EU pode lidar com esse chamado que se apresenta?

Como nesse momento a voz interior que se manifesta pode se conectar com esse chamado?

Posso ter uma espécie de inspiração que vem para mim e percebo que está certo, que esse impulso é correto.

Mas frequentemente esqueço isso. O cotidiano nos atrapalha e a gente perde a voz que vem de dentro.

A gente pode ter a oportunidade de que estas inspirações que balançam a vida sejam levadas e provoquem alterações, gerem uma nova realidade a partir da vida interior, então começo a falar para as pessoas em volta: “Você entende isso?” Porém, os outros não têm essa realidade interior minha e não sou compreendido.

A partir da minha convicção e impulso levo isso para o mundo exterior, vou ter muito trabalho, mas levo isso para a realidade.

E quando então eu consigo levar isso para a realidade eu fiz uma transformação, para uma REALIDADE, maiúscula.

O caminho não é tão curto, tem que tomar para dentro de si, fazer o caminho interior e depois levá-lo para fora.

Podemos trabalhar a partir do que se manifesta para nós no mundo vegetal, animal.

As grandes transformações só serão sustentáveis se fizerem esse caminho.

No trabalho contra os transgênicos, por exemplo, se trabalharmos como uma situação exterior, nada acontecerá. Cada um deverá realizar esse caminho em seu interior e tornar-se tolerante para, no conjunto, desenvolver algo.

O essencial do trabalho biodinâmico é uma ‘atitude interior’

Normalmente quando somos perguntados sobre o que é essencial na biodinâmica falamos dos preparados, das constelações, dos animais, do que precisa ser feito. Temos o sentimento de que o que estamos dizendo é uma parte da realidade, mas temos algo que está em nosso interior e sabemos disso.

Qual a minha relação com o que foi lido de manhã? (texto do Manfred)

Formula o que pode ser um ponto central para esta temática:

Honestidade: é a primeira qualidade. Que eu tente tomar seriamente o que é oferecido pelo meu ambiente de trabalho. Eu tento profundamente conhecer como é o meu solo, meu clima, as condições que tenho, de forma muito séria conhecer o meu ambiente de trabalho. Não é a questão de ser ‘sério’ e trocar os fertilizantes, mas o tipo de honestidade de se confrontar com o que tem e aceitar.

Essa honestidade vai me levar a conhecer a identidade do meu local de trabalho, do meu produto. Quem trabalha com vinho, pode-se obter um alto preço quando ele tem uma identidade. Essa honestidade a gente descobre quando se dirige, olha, vê e reconhece a identidade.

Abertura: a planta nos mostra como ela está aberta e ligada à situação que está acontecendo agora. E então a gente pode desenvolver a atitude de que tudo que está no entorno pode estar em evolução. Não tem um ponto final se não fazemos alguma coisa, as coisas podem ser colocadas em movimento, em evolução. Deixamos um solo para as próximas gerações poderem trabalhar. Para que as plantas com as quais trabalhamos não cheguem a um ponto de morte, que as sementes que deixamos tenham um caminho para o futuro.

Cooperação: a gente pode descobrir que as coisas não estão separadas, estão interconectadas e que o conceito de competição - que saiu da biologia e foi para o mundo econômico - é uma mentira; aprendemos isso dos animais. Os seres desenvolvem algum tipo de cooperação, na forma que interagem entre si, são criadores de relações, são ‘criativos’ no ambiente. As abelhas juntam aquilo que está separado na paisagem através do seu trabalho. São as ‘criadoras de relações’.

Solidariedade: se manifesta quando criamos no ambiente de trabalho as relações de solidariedade. Não somente no nosso local de trabalho, mas a partir do nosso local de trabalho. Vem a pergunta, qual a nossa tarefa, qual a contribuição nossa, que não pode vir da natureza?

Iniciativa: trazer algo que não existia antes. A partir da nossa liberdade potencial, trazer o novo a partir da atitude interior. Só nós podemos trazer iniciativas, ‘nenhuma vaca trará iniciativas para a nossa fazenda’. Cultivar a natureza.

Responsabilidade: lembrando da corrente de Caim: podemos trazer destruição ou cultura para o mundo. Levar para baixo, enterrar mais, ou elevar do nível em que se encontra. Isso é o que carregamos como nossa responsabilidade. Estar na situação em que aceitemos a consequência dos nossos atos. Liberdade e responsabilidade são qualidades que provêm do impulso de Michael.

Sábado - 20/09 - tarde

6 - Palestra – Rene Piamonte                                                                                              

Título da palestra:  “As forças sanadoras da nutrição frente à crise atual da terra e do ser humano”

Agradece a todos e lembra que sua biografia está ligada à Demétria, onde estudou e morou. Exibe foto do campo experimental do IBD (antigo).

Lembra que todas as sextas feiras faziam preparados biodinâmicos e credita que vem daí toda sua força no trabalho biodinâmico.

Rudolf Steiner falou, antes do esoterismo, do pensamento que está por trás para gerar todo o conhecimento.

“Perceber a LIBERDADE e realiza-la é um ESTADO DE EXCESSÃO”

O Centro Goetheanum foi projetado por Steiner, com estrutura toda em madeira; uma arquitetura belíssima, cheia de detalhes, toda a arte foi plasmada neste local, cada coluna de madeira tinha um significado; levou 10 anos de dedicação e centenas de pessoas para sua construção. Enquanto se construía ouviam-se estrondos de canhões próximo á fronteira (Primeira Guerra Mundial). De 1922 para 1923 foi destruído por um incêndio criminoso. Em 1924 se realiza o curso agrícola. Neste período Steiner decide plasmar o conhecimento antroposófico de uma forma mais prática. Talvez o próprio surgimento da agricultura biodinâmica tenha sido gerado por esse acontecimento terrível.

Steiner dizia que “o sofrimento intenso e a dor pode se manifestar no silêncio, mas no silêncio que atua”. Ele pediu que fizessem silêncio pela tarde, e a noite fez uma palestra sobre o fogo, ainda enquanto as madeiras ardiam. Depois disso, deixou uma ‘maquete’ de argila que foi posteriormente construída e existe até hoje.

A Pedagogia Waldorf surge de uma fábrica de cigarros e a agricultura biodinâmica de uma fábrica de açúcar. Curioso como essas forças negativas se transformam em algo positivo.

Rudolf Steiner estava constantemente lendo, estudando, mesmo quando, no curso de agricultura, chegou debilitado e foi melhorando, apesar do ritmo intenso.

Lembra a coincidência deste curso com a festa de Pentecostes. Embora os apóstolos estivessem em um local fechado, com medo, manifestou-se a força divina e a vontade encarnada de fazer, de realizar. Explora ainda outras coincidências de Pentecoste com a entrega das tábuas de Moisés.

Steiner encontra na forma de observação de Goethe uma identidade de alma. A planta idealizada por Goethe é perfeita, uma imagem arquetípica, criada a partir de uma idéia que se torna vontade. Quando o agricultor planeja sua plantação, a colheita, de certa forma se encontra com esta imagem arquetípica, tudo é criado a partir de uma idéia que se torna vontade.

Quando um professor toma seu aluno, busca que seu aluno desenvolva todo o seu potencial. Da mesma forma, o agricultor quer que sua fruta seja ‘aquela’ fruta. Se for atacada por pragas não é aquela fruta que idealizou.

Cita que há três crises atualmente: do meio ambiente, do clima e da energia.

Cita desastres ambientais climáticos no Chile, Peru e Alemanha.

Alterações climáticas, emissão de carbono, desastres terríveis. Desenvolvimento de tecnologias avançadas para gerar riqueza nos sistemas de produção, mas não inventaram tecnologias para conter os desastres.

Lagoas de decantação das minas no Peru que se romperam pelo excesso de chuva, inundando cidades e áreas agrícolas; acidentes radioativos interditaram áreas por 99 anos, inclusive áreas agrícolas; desastre do golfo do México; avião da Malásia que se perdeu no oceano, as buscas revelaram grande quantidade de lixo no oceano; ameaça às abelhas; agressão dos transgênicos; crise econômica e global (a pobreza do nosso tempo é diferente da pobreza de outros tempos que era gerada pela escassez, enquanto a de agora é gerada pelo egoísmo humano.

Cita duas doenças na alma humana: uma é o ‘não me importa nada, não me envolvo com nada’, estado de egoísmo profundo; e a falta de pensar no outro: “vou fazer o meu trabalho mas nada fora disso”; falta de sentir o outro gera a indolência, a avareza dos banqueiros, os ‘fundos abutres’ que ameaçam a Argentina.

Podemos pensar que a solução seria mudar os impactos climáticos, mas se é uma doença humana, é somente na alma humana que se encontrará a solução. De onde vem esse egoísmo, essa avareza?

A fome humana; Amazônia destruída; entropia total; o mundo destruindo a si mesmo.

Steiner recebeu o feedback de que o que ocorreu durante o curso agrícola foi uma ‘’verdadeira festa de Pentecoste”, uma “força de renovação, uma refundação do mundo”.

Em tempos passados as pessoas olhavam os quadros de artistas maravilhosos para se vincular às questões espirituais. A imagem do Cristo morto, duro, frio, cinza, trazia a consciência do sofrimento e, depois, observando o quadro do Cristo ressuscitado os preenchia espiritualmente.

As tentações de Cristo, que estava no deserto há 40 dias e 40 noites, revelam um caminho de iniciação. Antes dessa passagem Ele foi batizado por João Batista, que depois da sua missão foi decapitado. O Cristo faz o seu caminho de iniciação, de meditação e depois então vem a tentação e mostra-lhe o mundo e todas suas riquezas e lho oferece; a segunda tentação o convida a se jogar no precipício, pois que seu corpo humano não seria tocado: “não sinta medo que não vou deixar seu corpo ser destruído”. Mas Cristo não precisa duvidar de seu poder. A terceira tentação o desafia a transformar pedras em pão e ouve como resposta: “nem só de pão vive o homem”.

Cristo se pergunta: o que leva as pessoas a querer pão de pedra e não pão de vida? Arimã e Lúcifer percebem que Cristo duvida sobre isso e Cristo percebe que eles notam sua dúvida. Ele procura os homens comuns e tenta perceber porque os homens fazem a escolha por ‘pão de pedra’, essa imagem arquetípica. Perceber a liberdade e realizá-la é um estado de exceção significa que temos que fazer essa escolha fundamental, o que realmente queremos?

O maior sentido da agricultura biodinâmica é o ‘organismo agrícola’.

Sobre o Calendário Agrícola, que o próprio palestrante prepara há mais de 30 anos, ressalta que a questão não é só utilizar o calendário, que a linha de ouro da agricultura biodinâmica, a idéia máxima, é o ‘organismo agrícola’.

Diante da pergunta: “Por que é tão débil à vontade para plasmar intenções espirituais?” Steiner diz que é um problema da nutrição, da qualidade da alimentação, que não tem mais a possibilidade de gerar a vontade dentro das pessoas para isso.

A individualidade agrícola é que gerou a imensa diversidade de produtos agrícolas, sendo que os preparados biodinâmicos vem funcionar para atuar nessa vontade.

Nas fazendas biodinâmicas de uvas as raízes são mais profundas e os vinhos se expressam melhor (o terroir)

Viticultura: adotaram o conceito de adubar o ar. Em relação à intensidade de uso dos preparados biodinâmicos afirma que quanto mais se usa mais resultados obtém. Intensificar a aplicação de preparados aumenta a resiliência (capacidade de suporte de uma fazenda ou cultivo quando tem problemas ambientais, principalmente de mudanças climáticas), pois é consequência da biodiversidade. Se está chovendo muito, não estraga; se está muito seco, consegue contornar a seca, o frio etc.

Animais silvestres voltam a frequentar os locais biodinâmicos, principalmente os que estão no topo da cadeia alimentar.

O verso que as crianças falam nas escolas Waldorf diz “da cabeça aos pés sou a imagem de Deus”, assim é com a biodinâmica;  tem que ser da cabeça aos pés, todos devem participar do processo, inclusive as pessoas do escritório: “a pessoa da contabilidade não vai entender o que significa comprar 300 chifres se ela não participar; o envolvimento é fundamental”.

A dinamização do fladen era feita anteriormente em uma caixa, depois passaram a fazer como uma massa de cimento e, atualmente, estão pisando, como no barro.

Início de uma cooperativa no Paraguai, com 65 agricultores. Veio o inverno e uma  geada seguida de seca, de outubro a janeiro, o que significa um impacto negativo muito grande para a produção de cana de açúcar. Contudo, a plantação  biodinâmica ficou verde e cresceu a olhos vistos. O resultado é que o grupo de produtores biodinâmicos está com 350 participantes; isso porque realmente funciona, e isso é o que importa para o agricultor.

Projeto de banana biodinâmica e de cacau no Equador. Tem a vantagem de fazer o preparado 500 no hemisfério norte em um dia e, no dia seguinte, o 501 no hemisfério sul, a poucos quilômetros dali. Brinca: “é o país mais biodinâmico do mundo”

A Colômbia produziu o melhor chocolate do mundo no ano passado, de Pacari. É um produto muito bom, produz com qualidade e o mundo começa a reconhecer isso.

O cacau e o café na República Dominicana, maçãs e peras na Argentina, vale do Rio Negro, são maravilhosos, produzidos de forma orgânica e biodinâmica. Cita o caso de um técnico especialista em maçã produzida com química que conheceu a agricultura biodinâmica e transformou sua vida e da sua família.

Café biodinâmico do Peru foi “xícara de ouro”, o melhor do mundo. O que significa que não pode ter defeitos, entre até 120 defeitos possíveis para se classificar um café esse não tem nenhum defeito, a acidez é equilibrada, perfeito.

Granja ‘Naturaleza Viva’, da Argentina: grupo foi perseguido pela ditadura, foram exilados e voltaram para a Argentina e trabalham com biodinâmica.

Região do pampa úmido, com muita fartura e abundante produção biodinâmica.

Fazenda Demétria: houve um esforço enorme para levar adiante esse entendimento e merece a força de todos.

Mostra produção de abacates: “os melhores do mundo”; trabalho  biográfico desenvolvido por Simon de auxílio a todos; a fitoterapia com plantas medicinais; horta em Salta; local de se guardar preparados; pasta biodinâmica para recuperar o carvalho; preparado biodinâmico e planta super desenvolvida.

Fala dos seres elementais e mostra os versos finais de um poema que é como os próprios seres falando para quem lê: “fica acordado, pense direito, crie vida e viva isso através da vontade”

Fala do Encontro em Lima no ano passado e do próximo encontro que será em Puerto Iguazú, Província de Misiones, Argentina.

Finaliza convidando a todos a “sentir a liberdade, que podemos atuar no mundo, deixar de lado o egoísmo, a avareza e criarmos laços de fraternidade”.

Domingo - 21/09 - Manhã

7 - Apresentação dos Grupos de Trabalho

Obs: este relato deverá ser complementado com a digitação dos cartazes dos grupos (fotos)

Grupo 1 - sementes (não registrado)

Grupo 2 - cereais

Problemas e entraves:

  • formar grupos (cooperativas para compra de insumos e comercialização);
  • interesse é baixo (precisa de área extensa, maquinário etc...);
  • disponibilidade de sementes orgânicas (soja, milho, arroz etc) e sementes de adubação verde (difícil e cara; produtores convencionais estão começando a utilizar, gerando concorrência pelas sementes).
  • não existem máquinas para produção em áreas mais extensas no Brasil, utiliza-se grades, arados que são muito prejudiciais ao solo.
  • falta maquinário para aplicação de biodinâmicos em grandes extensões no Brasil.
  • fornecimento de insumos: adubos caros (K, P...)
  • Assistência Técnica;
  • Comercialização;
  • Certificação.

Grupo 3: Preparados Biodinâmicos (Pedro e Mariana) – (não tem cartaz)

  • Preparado 500: esterco e chifre de vaca enterrado no inverno e desenterrado no final da primavera.
  • Dinamização e aplicação na terra
  • Preparado 501: sílica e chifre, moeram, encheram o chifre e enterraram. Orientam passar o ímã no quartzo para retirar todo o ferro (embrulha no papel para ficar mais fácil). Enterra no verão... utilizado para amadurecer os frutos.
  • Aplicação dos preparados na pilha de composto

Grupo 4: acesso a terra

Dificuldade é da agricultura familiar como um todo.

Benefícios que a agricultura biodinâmica oferece para a população e a terra orientaram a feitura de uma carta do grupo.

Lê a carta: (foto)

Pedro traz a proposta de uma campanha para a preservação das áreas de produção biodinâmica, contra a mudança de destinação das áreas ou parte delas. Indica que a Conferência aprove essa idéia e sejam encaminhados abaixo-assinados via internet, em feiras em São Paulo etc, além da articulação com outros movimentos em prol do acesso à terra, redes etc.

Participante sugere que se passe uma folha de abaixo assinado pelos participantes da Conferência como forma de reforçar essa campanha.

Grupo 5: Árvore no organismo agrícola – Marcelo e Carlos Lira

No primeiro dia vislumbraram a atuação do mundo espiritual nas plantas, no reino vegetal, os seres elementais e como atuam, em conjunto, na planta.

Tita e Fernando conduziram o grupo e deram enfoque sobre os seres ligados ao reino mineral, a terra (gnomos), espíritos da água (ondinas), seres da luz e do ar (sílfides) e seres do fogo (salamandras).

Plantas como corpo etérico dos animais, animais como corpo astral das plantas e humanos como EU dos animais.

A fecundação não ocorre entre as plantas, masculina e feminina. A imagem que trouxeram é que o fruto, como órgão masculino, fecunda a mãe terra, o feminino.

No segundo dia foram abordados diversos tipos de SAFs e plantada uma árvore.

Risco de se achar que a função das árvores seja de produzir sombra para o ambiente, a partir do qual os seres humanos criam subterfúgios como o sombrite. Mas é algo muito maior do que isso, envolve toda a questão espiritual, sutil, porém óbvia, que se percebe claramente na agricultura. A substituição de árvores por sombras artificiais não supre a necessidade das culturas, que precisam da nutrição da diversidade de plantas.

Manejo de árvores, podas, utilização para adição de nitrogênio aos cultivos.

Proteção das nascentes, da água, diretamente ligada à agricultura.

Grupo 6: Formação Biodinâmica e pedagogia Waldorf

Visão sistêmica do mundo espiritual partindo do eu e como a partir dessa visão integrar a atuação dos especialistas, inclusive da arquitetura, farmacêutica etc.

Questão do religar: tanto para o agricultor como  para o professor, a tarefa seria a de fazer a religação do ser (o próprio agricultor), com uma maior conexão com o mundo espiritual, abertura de consciência, amar a natureza, melhorar a relação com o todo.

Reconhecer o valor do agricultor/professor, estar mais presente no aqui agora, valorizar.

Formação de uma sociedade mais consciente, mais religada com seu propósito, seu intimo, mais ligada com o lugar que ocupa, interdependente do planeta, como contribuir e receber o que vem do todo.

Professor <<->> Jardineiro: agricultor é responsável pelo culto à terra e o professor também tem um trabalho em comum.

Respeito às culturas antigas, tanto na Pedagogia Waldorf quanto na agricultura.

Do todo para as partes (Goethe): organismo agrícola e escola; ser humano faz parte desse todo. O todo dessas duas vertentes é a antroposofia, que dá sentido às partes (Pedagogia Waldorf e Agricultura Biodinâmica). Importante uma visão sistêmica, para dar sentido e conectar estas partes a um todo maior.

Grupo 7: Abelhas

Síndrome do desaparecimento de abelhas.

Palestra do Steiner: temos que mudar a nossa visão das abelhas, vê-las como uma entidade, que é composta de todos os enxames da terra, das flores, é tudo uma coisa só. Buscar novas moradas, as caixas quadradas não respeitam a alma esférica da colméia, não trabalharmos com a introdução da rainha, que quebra com um ritual maravilhoso e profundo para existência delas que é a enxameação. Essa interferência na enxameação, a questão da alimentação artificial etc foram alertados a 80 anos atrás por Steiner que iria acabar com as abelhas. Quando questionado sobre isso Steiner disse: “temos que conversar daqui a 80 anos pra você entender”.

Nelson, de Santa Catarina está desenvolvendo uma caixa de criação de abelhas mais orgânica,

Temos que olhar para as abelhas e aprender com a vida comunitária, sem egoísmo, sem hierarquia e com muita harmonia.

Grupo CSA: Rodrigo Soares

Comunidade que Sustenta a Agricultura é pautada na relação entre a comunidade que consome e o agricultor, uma relação de fraternidade, muito além do comércio em si.  Quanto mais avançado esse vínculo entre o produtor e a comunidade que consome, maior o atendimento às necessidades mútuas. Trabalha-se com o tripé liberdade, igualdade e fraternidade, que representa uma mudança de paradigma, onde a fraternidade proporciona o atendimento das necessidades mútuas.

Produtor apresenta as suas necessidades de ganho e de insumos à produção e a quantidade de pessoas que consegue atender. Os consumidores então financiam este produtor para que sejam atendidos. Assim, se estabelece um local para a entrega e os próprios produtores encarregam da distribuição.

Quando os consumidores se organizam, quem vem buscar sua cesta, pega o alimento, pesa e leva. Existe aí uma relação de confiança.

Palavras chave: não é um negócio, mas uma economia associativa, transformação da relação de preço por APREÇO. O consumidor passa a conhecer o produtor e ter apreço por ele, e vice-versa.

A idéia inicial é que é uma forma de comércio, uma forma de adquirir o alimento do produtor. Mas, no decorrer das apresentações,  percebe-se que é um grupo de consumo, um grupo de famílias que vão comprar de forma diferente do produtor; que existe um trabalho individual que passa a ser coletivo. Começa como um grupo de família, mas a comunidade vai se criando no decorrer das relações, as pessoas começam a se relacionar de forma diferente.

“Se pensarmos que teremos um CSA quando tiver as famílias ideais, não acontece... é no decorrer das relações que a comunidade se constrói no coletivo.”

Grupo Imagem

Imagem usada pelos produtores de vinho, imagem de cristalização.

Fundamentação e intenção original era desenvolver uma percepção imaginativa no ser humano, desenvolver novos órgãos de percepção no ser humano e como isso pode contribuir para a visão do agricultor sobre a paisagem agrícola.

Transgenia, como é possível essa qualidade do pensar?

Compostagem como exemplo concreto de olhar a qualidade do pensar e gestos humanos e como a paisagem reflete o mundo interior. Na compostagem predomina dois extremos, onde um pólo representa a produção em escala industrial, com revolvimento de 3 a 5 vezes por semana, onde a matéria orgânica é brutalizada e em um mês se tem o produto pronto.

Em outro pólo ocorre a fermentação fria e anaeróbica: a pilha é montada e se inoculam os preparados, deixando com que a pilha trabalhe ao léu.

No processo mecanizado, brutalizado, predomina a manipulação e o controle e, no outro lado, predomina a putrefação e o abandono pois se tenta ajudar a natureza mas a deixa sozinha.

Procura-se um caminho do meio, onde haveria uma ‘conversa com a natureza’, o que de fato é a relação C/N, o que significa? Como a pilha pode ser uma expressão de um gesto interior do agricultor. Olhar a cromatografia como a imagem que pode expressar algo, tendo o composto como uma oferta à terra.

Grupo 8: Nutrição

A nutrição cósmica é uma questão muito profunda. Ressalta três aspectos:

  1. Necessidade de ampliação do movimento biodinâmico, o impulso da agricultura biodinâmica;
  2. Uma nova forma de distribuição dos produtos biodinâmicos (a exemplo do CSA);
  3. “Com a transgenia estamos tentando tornar verdade a inverdade do homem matéria”. Necessidade de inverter essa tendência e fortalecer o homem-espírito.

8 - Encerramento

Pedro fala do abaixo assinado para que o Bairro Demétria seja uma “Área Livre de Transgênico” e cita as diversas instituições e estabelecimentos comerciais que assinaram o manifesto, além de 75% dos moradores do bairro.

  • Homenagem a João Ávila

João Ávila foi responsável pelos primeiros cursos de biodinâmica em 1970.

João Ávila: o primeiro curso de agricultura biodinâmica, oferecido no Brasil em 1977, foi proibido na Universidade Rural do Rio de Janeiro, então, reuniram-se na quadra de esportes e os alunos se sentaram no chão, pois havia apenas uma cadeira para o professor e um quadro negro. Ávila lembra a participação de Daniel Brito, primeiro tradutor das obras de Steiner para o português, o primeiro mestre de João em 1972 e que lhe ensinou sobre antroposofia e biodinâmica. Depois disso foi estudar em Stuttgart, Alemanha onde teve como professor um dos participantes do curso agrícola de 1924. Este professor tinha, à época do curso agrícola, apenas 21 anos  de idade e, ao final do curso, o próprio Rudolf Steiner perguntou-lhe o que tinha entendido do curso. A resposta: nenhuma palavra. Depois então participou de grupos de estudo e tornou-se um dos principais líderes deste movimento.

João Ávila recebeu este impulso e trouxe para o Brasil.

  • Homenagem a Gerard

Foi responsável pela tradução de diversas obras de Rudolf Steiner no Brasil.

Gerard: “Uma imagem que recebemos é um presente que quero guardar no íntimo do meu coração para sempre.”

Lembra a figura de Jörgen Smit que foi importante na realização de muitas coisas na antroposofia brasileira.

  • Agradecimentos finais
  • Andréa agradece a presença de todos os participantes, lê uma lista dos lugares que estão representados.
  • Convite ao Encontro Latino Americano de Agricultura Biodinâmica, em Puerto Iguazú, na Argentina, Província de  Misione, de 24 a 27 de Setembro de 2015.
  • Pablo fala do trabalho na Argentina, na província de Misiones, com a produção de erva mate aplicando a agricultura biodinâmica; uma proposta diferente para viver da própria produção, com alternativas de comercialização, valor agregado, sentido espiritual da agricultura biodinâmica, que o homem possa desenvolver-se na comunidade e encontrar outros rumos de vida. Relata que no ano de 2012 formaram uma cooperativa biodinâmica, com o propósito de diversificar o produto e gerar alternativa para o consumidor. Trabalham com erva mate, plantas medicinais, fitoterápicos (laboratório) e cítricos. São vários produtos em uma mesma fazenda, além de cursos introdutórios e fundamental à agricultura biodinâmica. Conta que muitos brasileiros já foram à fazenda ‘Formigueiro’ e, para o próximo ano, vão fazer cursos de cristalização sensível e forças formativas do alimento. O convite é aberto a todos.
  • ABD teve dois encontros no ano passado com apoio do Instituto Mali, e estará divulgando em breve o relatório destes encontros.
  • Michael agradece a parceria com a Associaão Biodinâmica e reforça que para a Associação Antroposófica é muito importante e estão empenhados em estabelecer a Seção de Agricultura visando dar melhores condições para a biodinâmica no Brasil. Coloca a Associação à disposição para apoiar esse movimento.
  • Encerra com uma frase de Rudolf Steiner: “VIDA É A CONTÍNUA SUPERAÇÃO, E AO MESMO TEMPO, A SEMPRE NOVA CRIAÇÃO DE CONTRADIÇÕES”.

FIM.

Os relatos foram fornecidos por duas pessoas que participaram da Conferência Biodinâmica. Esta é uma forma de socializar um pouco os importantes conteúdos abordados na Conferencia. Estes conteúdos não são um relato ou Anais oficial da Conferência.

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