Associação Biodinâmica

A Biodinâmica Como Caminho Social

Uma das metas, a partir dos impulsos da agricultura biodinâmica, deveria ser a de chegar a varias soluções sociais. Sabemos ao olhar para as catástrofes (problemas) que há muita escuridão, mas também sabemos que há muita luz.

De certa forma podemos dizer, que nos confrontamos com a natureza durante o trabalho (agrícola), e que o resultado disto são os alimentos. Este alimento, agora em forma de produto, vai para o nosso entorno. Mas, ai surge uma brecha. Todos sabem, bem ou mal, que nossos alimentos vem da terra. O que hoje está na paisagem, amanhã estará em nosso prato.

Construímos junto com a natureza, como agricultores, esta paisagem, que depois passará a ser parte de nós, como resultado de nossas ideias e intenções, por meio de nossa vontade. Mas hoje grande parte da paisagem mundial está sofrendo uma destruição, e isso também é parte de nós.

Mas encontramos alguns lugares pequenos, onde se busca trazer mais “cultura -  agricultura” para o mundo. E precisamos buscar fazer parte destas correntes que buscam proteger a natureza e os seres.

Mas a agricultura biodinâmica busca ir mais além, ela busca não apenas proteger, mas regenerar a natureza e os seres (cura). Este é o diferencial da biodinâmica dentro da “família de movimentos”, pois nela o ser humano é o modelo a ser seguido.

Temos ai um ponto de virada, pois vemos uma criação/produção, que cria alimentos para o ser humano à imagem/modelo do homem. Sim, pois dentro desta visão, o reconhecer da “individualidade do organismo agrícola”, é um termo tirado do modelo do ser humano e não das ciências-naturais. O alimento vem do homem e é para o homem.

Antigamente pertencíamos a grupos, hoje não mais. No entanto, ao nos reportarmos desta forma como indivíduos, ainda assim nos reportamos à humanidade como um todo.

Podemos reconhecer esta individualidade também na terra/fazenda, pois percebemos que determinados lugares tem suas propriedades e características particulares. O que é um geral na natureza, se individualiza nos organismos agrícolas. Mas, manter o organismo agrícola fechado em si não é um objetivo.

Surgem então questões como: O quanto pode sair da produção e o quanto é preciso ser mantido para o futuro (sementes)?

O valor agregado tem que ser maior que os investimentos no preço final do produto? Lembremos que este também é o modelo convencional, que se utiliza de fertilizantes e etc.

Uma das grandes pressões sobre a fazenda é a do capital. É preciso refletir sobre, como se relacionam os organizadores e os colaboradores? Quanto trabalho agrícola foi (é) feito por escravos? Como mandamos os produtos para fora, como fazemos o preço? Sempre pensamos, “não é suficiente”, ao mesmo tempo em que o consumidor acha tudo caro!

Produtos   –  processamento  –   atravessador   –   varejista  –   consumidor

Nesta cadeia ninguém tem ideia do todo. A pressão do preço vai sendo empurrada adiante e cai sobre o consumidor. Mas este de certa forma é livre e pode escolher, e então deixa de consumir determinados produtos, e então a PRESSÃO volta ao produtor.

Então precisa-se trabalhar (agricultura biodinâmica) e produzir (agricultura convencional) mais. Ninguém tem ideia do que isso significa. O ideal seria por a cadeia em forma de círculo, para que se pudesse olhar olho-no-olho, levando em consideração que, no geral, o social não funciona, e que tenho que pensar no egoísmo do outro. Quando como uma maçã ela some, ninguém come o que eu comi. Comer é um ato egoísta. Pelo comer podemos nos sentir mais, ou menos prejudicados, pois não comemos responsabilidade, atitude, mas comemos o alimento criado a partir delas. Em modelos como o CSA há uma relação de maior proximidade entre produtor e consumidor.

Somos 7 bi. E 1bi está faminto. 8 mil pessoas morrem por dia de fome. Seremos 10 bi. e a indústria diz, precisamos produzir mais (Transgênicos)!

Precisamos parar um pouco e nos perguntar: Será que precisamos produzir mais? Será que precisamos comer menos? Menos carne?

Em verdade, muito mais é produzido que o necessário. Poderíamos alimentar as pessoas que nascerão até 2050 com isso tudo. O que precisa mudar é a qualidade dos alimentos (kcal), não os números, ou as quantidades, mas o pensamento/conceito, e também a distribuição.

Temos em diferentes lugares diferentes situações e não há conexão entre estes dois pontos, o que significa que em alguns lugares há demais, e em outros há de menos. Somente em casos emergenciais (catástrofes) são tomadas medidas mais pontuais (doações), mas isto não ensina as pessoas a produzir.

A solução é criar no local a produção, a soberania alimentar depende da dignidade de cada um (vice-versa). Isto é só um 1º passo para implantar uma nova economia. Esta dignidade é um dos maiores impulsos que podemos ter. Temos que nos ajudar, para que cada um chegue a esta dignidade.

Carlos Lira

Os relatos foram fornecidos por duas pessoas que participaram da Conferência Biodinâmica. Esta é uma forma de socializar um pouco os importantes conteúdos abordados na Conferencia. Estes conteúdos não são um relato ou Anais oficial da Conferência.

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